
Boletim Eletrônico do Guia Escolas
Peça teatral leva jovens ao “universo caipira” de São Paulo
Com o objetivo de aproximar do Teatro o público infanto-juvenil e, através de uma experiência estética, transfigurar certas experiências humanas, o autor e diretor Marcus Vinicius de Arruda Camargo produziu o espetáculo O Beijo na Terra. Pré-adolescente, pré-teen, infanto-juvenil – várias são as definições para o jovem nessa idade. Entre os 8 e 13 anos, o indivíduo inicia sua transição para a idade madura. São poucos os espetáculos voltados para essa faixa etária, pois se destinam aos adolescentes ou ao público infantil.
O Beijo na Terra é a continuidade da pesquisa que o diretor desenvolve na área infanto-juvenil. Destinado a adolescentes entre 10 e 14 anos, é um espetáculo sensível e bem-humorado, que discute o amor, as relações escolares, as amizades e a fantasia. O texto, escrito pelo próprio diretor da peça, foi premiado no Concurso Nacional de Textos Teatrais Inéditos do Ministério da Cultura em 2001 e é marcado pelo dinamismo e inventividade.
Marcus Vinicius já encenou outros espetáculos voltados para a mesma faixa etária. A peça Desce do muro, moleca! recebeu três indicações para o Prêmio Coca-Cola de Teatro Jovem 1996, como melhor texto, direção e cenografia. Já o espetáculo Um Jeito Assim... mereceu o Prêmio APCA 98, como melhor diretor, e foi indicado para o Troféu Mambembe 98, como melhor autor. Em 2000, Marcus Vinícius encenou E sempre, e tanto, adaptação do livro Tesouros da Juventude, da psicóloga Lidia Aratangy. Ervilha Sapo Junior foi indicada para o Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem, como melhor espetáculo jovem, melhor texto, melhor iluminação, melhor cenografia e melhor música composta.
O universo regional
Camponês, caboclo, caipira, roceiro, sertanejo, capiau: que homem caipira real existiu e existe ainda hoje no interior do Estado de São Paulo? O Beijo na Terra é desenvolvido a partir desse questionamento. O roteiro utiliza como base a cultura do caipira do interior de São Paulo. A ação se desenrola na pequena cidade fictícia de Capelinha, isolada pela linha ferroviária. O trem não pára na estação da cidade por falta de passageiros para embarcar e desembarcar.
O texto, através do realismo de personagens como a Vó de Todo Mundo, Filhas do Crescente, Zarolha Preta, Caboclo Eremita, procura aproximar o jovem do imaginário do folclore brasileiro. Resgatando e transformando algumas lendas do universo imaginário do interior – o boi que voa, o homem que vira estátua, lágrimas que enchem o rio – mostra aspectos diversos da raiz da cultura paulista.
A linguagem mescla a norma culta com a língua própria do homem do interior de São Paulo. Expressões como “nóis punhemo”, ”vancê iscuitô”, “prá modi de”, entre outras, aproximam o texto da realidade do interior. Apenas quando a linguagem dificulta a compreensão das palavras é usada a grafia correta.
O cenário é a paisagem de uma das regiões mais importantes do desenvolvimento histórico do país – a tradicional região cafeeira de São Paulo. A casa da fazenda, o terreiro cimentado, as tulhas, o mangueirão, cocheiras, chiqueiros, casinhas da colônia, casas de barro batido, a Praça da Igreja Matriz. O roteiro atravessa tradições e costumes durante o desenrolar da trama: as “rodas de causos”, a velinha em promessa para Nossa Senhora no copo de óleo, o preparo do cigarro de palha, o fogão à lenha, o banho de bacia.
São 15 atores em cena que se revezam entre personagens dando maior dinâmica à encenação. A trilha musical mistura a tradicional música sertaneja, modas de viola especialmente compostas e temas com ritmos modernos. A iluminação delimita o palco em espaços de ação. A iluminação é poética valorizando os elementos do cenário. Utilizando como base os tons de âmbar, procura remeter o espectador à terra vermelha: chão de terra batida, ruas sem calçamento e roçados. O espetáculo, através de uma pequena viagem à cultura caipira, pretende que o jovem possa apreender uma experiência de mundo, ampliando suas significações e que possibilite, enfim, a sua própria transformação. Para as escolas que se interessarem, existe a possibilidade de contratar uma determinada quantidade de espetáculos, os quais poderão ser montados no próprio teatro da instituição, quando houver. Caso contrário, a alternativa é levar os alunos e professores até um outro teatro.
Para contratar o espetáculo ou obter mais informações sobre a peça teatral O Beijo na Terra, entrar em contato com Luana Oliveira, pelo telefone (11) 3746-5856 ou e-mail luanadeoli@yahoo.com.br.
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